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Sexta-feira, 13 de Março 2026

Regionais

"Trilhos do progresso?” revela impactos da Ferrogrão na Amazônia e dá voz a povos da floresta

Documentário

Repórter Invisível
Por Repórter Invisível
Aldeia Kubenkokre - Terra Indígena Menk/Foto: Frank Munduruku ragnoti - Povo Kayapó-Mekrãgnoti Fotos: Kokomy KayFoto: Po yre Mekragnotire/InstitutoKabu apó / Instituto Kabu/
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Já em fase de finalização, o filme teve a região sudoeste e oeste do Pará como palco das gravações do documentário “Trilhos do progresso? O impacto socioambiental da Ferrovia Ferrogrão EF-170”, premiado pelo Edital Curta Afirmativo, da Secretaria do Audiovisual e que tem o patrocínio do Ministério da Cultura  e Governo Federal, é dirigido pelo Cineasta Indígena Clodoaldo Corrêa Arapiun, roteirizado por ele em parceria com Lia Malcher. O filme pretende jogar luz sobre os impactos socioambientais provocados pela construção da Ferrogrão, uma das obras mais polêmicas previstas para a Amazônia.

Muito mais do que uma análise técnica da obra, o documentário mergulha no cotidiano e na resistência dos povos indígenas afetados diretamente pelo projeto. As aldeias Munduruku, Kayapó e Apiaká, Praia do Mangue e outras terão papel central na narrativa. Além das falas dos povos originários, o filme contará também com entrevistas de representantes do Ministério Público Federal, de técnicos do ICMBio e com materiais de arquivo de autoridades políticas que participaram do projeto da ferrovia desde sua concepção, em 2016.

A Ferrogrão prevê um traçado de 1.142 km ligando Sinop (MT) a Miritituba (PA), com orçamento estimado em R$ 12,6 bilhões. O objetivo é facilitar o transporte da produção agrícola, especialmente soja, até o porto para exportação. No entanto, o percurso atravessa o Parque Nacional do Jamanxim, uma das áreas mais sensíveis da floresta amazônica, colocando em risco não só o ecossistema, mas também a vida de comunidades tradicionais e povos indígenas que habitam a região.

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Segundo dados do ICMBio, a construção da BR-163, com função semelhante à da Ferrogrão, gerou um aumento de 500% no desmatamento em seu entorno. O receio é que a nova ferrovia repita esse padrão de devastação.

A proposta do documentário é apresentar uma visão crítica e urgente sobre o modelo de desenvolvimento defendido por grandes grupos econômicos, que muitas vezes ignoram os impactos sociais e ambientais. O filme quer mostrar que os povos indígenas não são obstáculos ao progresso, mas sim protagonistas na preservação da floresta e na manutenção do equilíbrio ecológico.

Com previsão de lançamento para maio de 2025, “Trilhos do progresso?” é também um chamado à reflexão: que tipo de futuro estamos construindo e quem está pagando o preço por esse avanço? A produção pretende alcançar não apenas o público brasileiro, mas também o cenário internacional, como forma de pressionar por um debate mais justo e transparente sobre a Amazônia e seus guardiões.

Clodoaldo Arapiun, é nascido na Aldeia Anderá, Baixo Tapajós, onde viveu sua infância e boa parte de sua juventude cercado pela cultura indígena, a qual trabalha mais de 25 anos. Além de Trilhos do Progresso? Clodoaldo assina outras produções voltadas para as lutas dos povos originários.

Por Márcia Reis - Assessora de Imprensa

 

Aldeia Kubenkokre - Terra Indígena Menkragnoti - Povo Kayapó-Mekrãgnoti

Fotos: Kokomy Kayapó / Instituto Kabu

 

Foto: Po yre Mekragnotire/InstitutoKabu

 

Foto: Frank Munduruku

 

Foto: Frank Munduruku

FONTE/CRÉDITOS: Por Márcia Reis - Assessora de Imprensa

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